segunda-feira, 27 de março de 2017

Hiato de pressa e presságio

há dias a voz mostra-se intranquila
mergulhada em completo silêncio
retiro desse mar sílabas de pura rouquidão
faz-se o hiato e a pressa reprimida
manifesta no desejo da fala
antecedendo o presságio da morte
nesse espaço vazio, a inquietude dos anos
afoga o peito em pútridas secreções
murmura este homem um réquiem silencioso
a velar seu próprio corpo
à espera de um último suspiro

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Espinho

o verbo - estancado em minha glote -
silenciou o fluxo
de letras-frase-oração
frente à palavra
calei-me.
não disse
engoli a seco o
espinho da palavra
que me fere
por não-dita
no seu silêncio -
que bendito
-
compõe
o poema que vomito


sábado, 22 de junho de 2013

Poesia para tempos de guerra

incomoda-me por nome às coisas
Fazê-lo é impor registro
cercear sentidos
significar o inefável,
este carrapicho que perturba
pela sua vaguidão
que não pode - nem deve - ser enunciada.

Meta-amor

Disse que não escreveria sobre o amor.
Decidido, não o fez,
fazendo.